19 de Maio, 2025 09h05mSaúde por Rádio Agência Nacional

Médica alerta que autistas têm maior risco de sofrer abuso sexual

Baixar Tocar A Campanha Maio Laranja, dedicada ao alerta contra abusos sexuais e assédio a crianças, adolescentes e pessoas vulneráveis, coloca em debate situações delicadas, dolorosas e urgentes! Nossa personagem Carla é uma das vítimas desses crimes, na maioria das vezes silenciados. O nome fictício, é de uma mulher autista, que pediu para não ter a identidade revelada. Sem esconder a dificuldade que tem para falar do assunto, ela conta que já passou por diversas situações de abuso desde a infância

A Campanha Maio Laranja, dedicada ao alerta contra abusos sexuais e assédio a crianças, adolescentes e pessoas vulneráveis, coloca em debate situações delicadas, dolorosas e urgentes!

Nossa personagem Carla é uma das vítimas desses crimes, na maioria das vezes silenciados. O nome fictício, é de uma mulher autista, que pediu para não ter a identidade revelada. Sem esconder a dificuldade que tem para falar do assunto, ela conta que já passou por diversas situações de abuso desde a infância.

"Passei por mais de dez situações desde a infância, e não é exagero. A cada vez, só conseguia digerir depois, em períodos de reclusão e depressão, tentando me preparar para não viver aquilo novamente".

No depoimento à nossa equipe, Carla revelou o caso mais grave que sofreu:

"A situação mais traumática foi o estupro cometido por um homem de cerca de 40 anos, amigo de uma conhecida minha. Fui muito clara sobre meus limites. E ele disse que me respeitava. Acreditei, porque levei a palavra dele ao pé da letra. Mas ao aceitar um convite para jantar em sua casa, fui surpreendida e o pior aconteceu".

O tema da violência sexual contra meninas e mulheres autistas ganhou destaque quando a modelo inglesa Christine McGuinness, diagnosticada com autismo, relatou ter sofrido abusos dos 9 aos 11 anos, e ter sido estuprada aos 14.

A psiquiatra Claudia Paola Aguilar, que acumula experiência em atendimentos destes casos, explica os riscos da violência contra pessoas autistas:

"As pessoas no espectro autista têm um risco maior de sofrer violência sexual em comparação com a população em geral. Tem estudos mostrando que até 90% das mulheres autistas podem ter sido vítimas de algum tipo de violência sexual ao longo da vida".

A especialista acredita que as características do autismo acabam colaborando para o silenciamento:

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"Faz parte do transtorno do espectro autista essa dificuldade na comunicação, tanto na questão de entender a comunicação do outro, uma leitura do verbal e do não verbal, das intenções da outra pessoa com relação a ela, quanto para interpretar que houve uma violência, de que aquilo é uma violência sexual, quanto para denunciar". 

Ainda de acordo com a psiquiatra Claudia Paola Aguilar, o primeiro passo é não expor a vítima em caso de suspeita de violência sexual contra a pessoa autista.

"Quando a gente suspeita que uma pessoa no espectro autista, uma criança ou até um adulto, tenha sido vítima de alguma violência sexual, o importante é que a gente não exponha demais essa criança ou essa pessoa no espectro, fazendo com que ela conte muitas vezes o que aconteceu".

Segundo o Atlas da Violência 2024, estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada com a colaboração do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a violência sexual ficou em terceiro lugar entre as notificações de violência contra pessoas que têm deficiência, com 23% dos casos. A violência física foi a mais relatada, com 55% dos registros, e a psicológica veio em seguida, quase 32% das notificações.

Entre os canais de denúncia para esse tipo de crime estão o Disque 100, Delegacias e Ministério Público.

© Tânia Rêgo/Agência Brasil Saúde Maio Laranja alerta sobre abuso sexual em pessoas vulneráveis Rio de Janeiro 19/05/2025 - 09:04 Luana Lavoyer / Marizete Cardoso Carolina Pessoa - repórter da Rádio Nacional maio laranja Abuso sexual pessoas vulneráveis pessoa autista segunda-feira, 19 Maio, 2025 - 09:04 3:12

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