19 de Janeiro, 2026 15h01mBenefício

Prefeitura de Itapagipe apresenta cenário do IPREVI e reforça necessidade de votação da Previdência Municipal

Na última sexta-feira, às 11h, o prefeito de Itapagipe, Ricardo Garcia, concedeu entrevista à rádio Itanews FM, direcionada especialmente aos servidores públicos municipais e aposentados vinculados ao IPREVI.

Na última sexta-feira, às 11h, o prefeito de Itapagipe, Ricardo Garcia, concedeu entrevista à rádio Itanews FM, direcionada especialmente aos servidores públicos municipais e aposentados vinculados ao IPREVI. O prefeito esteve acompanhado do secretário municipal de Fazenda, Vaine Alves Rodrigues, que apresentou dados técnicos e informações detalhadas sobre a gestão fiscal do município.

Durante a entrevista, Ricardo Garcia explicou de forma clara e transparente a atual situação financeira e previdenciária do IPREVI, alertando para a gravidade do cenário e a necessidade de adoção de medidas urgentes. Segundo ele, o número de aposentados vem crescendo de forma acelerada ao longo dos últimos anos: em 2021 eram 133 aposentados, em 2022, 137, em 2023, 150, e, em 2025, o total chegou a 185 beneficiários, incluindo pensionistas e dependentes.

Com uma expectativa média de vida em torno de 70 anos, podendo ser ainda maior, o déficit atuarial do instituto já ultrapassa os R$ 300 milhões. O prefeito destacou que a tendência é de agravamento, já que o número de aposentadorias cresce em ritmo superior ao de servidores ativos contribuintes, o que compromete o equilíbrio do sistema.

Outro ponto de preocupação destacado foi o aumento expressivo da alíquota previdenciária, que passou de 3,5% em 2021 para 16% e atualmente atinge 33%. As projeções indicam que esse percentual pode chegar a 51% em 2026 e alcançar cerca de 58% em 2028, tornando-se insustentável para a administração municipal.

Diante desse cenário, o prefeito anunciou que o município solicitará uma nova revisão atuarial. A Prefeitura irá contratar uma auditoria independente para refazer os cálculos, enquanto o IPREVI também realizará sua própria avaliação. Paralelamente, o setor jurídico do instituto irá estudar medidas e ações legais com o objetivo de reduzir e amenizar o impacto dessa alíquota considerada impagável.

Ricardo Garcia alertou ainda para as consequências da inadimplência previdenciária. Caso o município deixe de realizar os repasses ao IPREVI, perde a Certidão de Regularidade Previdenciária (CRP), documento essencial para o recebimento de recursos nas áreas de saúde, educação, assistência social, convênios e emendas parlamentares, comprometendo toda a estrutura administrativa.

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Sobre a recomposição salarial dos servidores, o prefeito lembrou que o projeto de reajuste de 3,9% já está em tramitação na Câmara Municipal. No entanto, ressaltou que qualquer aumento salarial impacta diretamente a dívida previdenciária, elevando também o valor da complementação paga pela Prefeitura ao IPREVI.

O prefeito também destacou que o planejamento estratégico definido durante seu segundo mandato já apontava a necessidade de preservar a saúde financeira do município. Segundo ele, a estabilidade das contas públicas reflete diretamente no bem-estar da população e na capacidade da Prefeitura de manter serviços essenciais e realizar investimentos. Ele citou ainda o impacto positivo da folha de pagamento na economia local, com cerca de R$ 32 milhões injetados ao longo de oito anos, fortalecendo o comércio e a indústria de Itapagipe.

Ricardo Garcia lembrou que um concurso público foi realizado em 2023, com a efetivação de 66 professores, e anunciou que um novo certame será realizado no primeiro semestre de 2026. A medida é considerada fundamental para fortalecer o quadro de servidores efetivos e ampliar a base de contribuintes do sistema previdenciário.

Ao final da entrevista, o prefeito reforçou que a administração municipal irá apresentar, com urgência, propostas e ações ao IPREVI, à Câmara de Vereadores e aos servidores, para que todos compreendam a dimensão do problema e participem do debate. Segundo a Prefeitura, no prazo de 10 a 15 dias devem ser concluídos estudos e projeções que irão embasar as medidas necessárias para regularizar os repasses previdenciários, evitar cortes drásticos no orçamento e revisar o planejamento financeiro dos próximos anos, incluindo possíveis alterações no Plano Plurianual (PPA).

Para o prefeito, as decisões precisam ser rápidas, responsáveis e construídas de forma coletiva, uma vez que seus efeitos já impactam diretamente o exercício de 2026 e o futuro financeiro do município.

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