31 de Agosto de 2026
ARTIGO

Covid 19: Eu enfrentei e venci esse vírus maldito

Tudo começou no dia 08 de junho de 2020, quando cheguei do trabalho e me deparei com meu pai em cima de uma cama, com muita dor no corpo, e tod

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Tudo começou no dia 08 de junho de 2020, quando cheguei do trabalho e me deparei com meu pai em cima de uma cama, com muita dor no corpo, e todo vermelho e tossindo, e a primeira coisa que me veio na cabeça, “meu Deus será que meu pai está com Covid?”. Voltando um pouco, meu nome é Letícia Machado Leal, sou graduada em Direito, tenho 23 anos, nasci e vivo em Iturama-MG, atualmente trabalho no Jornal da Cidade, e morro com meus pais, meu pai trabalha na Usina Coruripe, na função de líder de logística, e por isso mantem contato com inúmeras pessoas por dia, e minha mãe está trabalhando em casa, ela é professora da rede publica e participa da cidade, tenho um irmão de 07 anos, ele é imperativo e não se adapta a essa nova rotina, os últimos integrantes da casa são minhas duas filhas de 04 patas. 
A nossa rotina mudou completamente depois do Covid-19, acho que na realidade a rotina de todos, já não posso sair como antes, reunir com amigos/familiares nos finais de semana, quero ressaltar sobre a enorme saudade dos meus avós, pois já tem 05 meses que não vejo eles. Sobre as precauções, tomamos todos os cuidados necessários como: uso de máscaras, álcool em gel no carro e em casa, evitamos aglomerações, usamos mais os serviços de delivery, e nem com todos esses cuidados ficamos isentos desse maldito vírus. 
Bom acho que qualquer pessoa teria o mesmo pensamento, no dia 08, meu pai se conteve e não quis ir ao médico, disse que estava bem e era só um resfriado, mas no 2º dia ele acordou ainda pior, procuramos o hospital, e aí começou o grande pesadelo, todos da casa entrou em isolamento por 15 dias, o teste só seria feito no oitavo dia dos sintomas, caso testasse negativo voltaríamos a rotina normal, caso fosse testado positivo manteríamos em isolamento.
Pois bem, no quarto dia eu também comecei a ter sintomas, e eles só foram se agravando, eu pensei que seria alergia, tomei antialérgicos e nada, no sexto dia tive febre, e resolvi procurar o médico. O atendimento é feito da seguinte forma, o paciente chega no hospital com sintomas de Covid e de pronto e imediato já é encaminhado a uma outra sala separada e exclusiva para pacientes com suspeita de Covid, os médicos enfermeiros prestam ótimo atendimento, porém o medo, o receio é visível no olhar deles.
Por conta da suspeita de Covid-19, me manteria em isolamento. O sétimo dia para mim um dos piores dias, tive muita falta de ar, e questionava comigo mesma, “Deus será possível, eu tão nova, um grande futuro pela frente, será que vou morrer assim? Não deixa que isso aconteça”. A respiração cada vez pior, durante uma hora fiquei muito mal, mais que na verdade para mim foram muitas horas de muita angústia, o desespero, e o medo da morte, mas, enfim passou. 
No dia 17 (9º dia) veio a notícia onde abalou corações, deixou cada um dentro de casa sem espaço, e sem fala, a primeira suspeita da casa, foi testado positivo (meu pai) ele estava realmente com Covid-19, cada um em seus quartos e o silêncio se manteve pelo dia e pela noite, no dia 20 eu realizei meu teste e também testei positivo sendo a segunda da casa, em meio tempo do meu positivo, descobrimos que pai estava com pneumonia, minha mãe começou a ter sintomas do Covid também, quando achamos que tudo estava bem, minha mãe testou o terceiro positivo da casa, junto com uma pneumonia, ademais no penúltimo dia de quarentena, tive outra surpresa, a pressão da minha mãe chegou a 18.9, além de estar com depressão e crise do pânico.  
Por fim meu irmão de 7 anos não teve Covid, realizamos o teste nele, minha mãe está tratando dos problemas psicológicos que esse vírus trouxe, enfim, nossa rotina voltou ao normal.
Em resumo foi isso que vivemos em 26 dias de isolamento social, e neste momento a minha enorme gratidão pela vida, e pela minha família, esses dias em isolamento mostrou quem realmente são meus amigos, aquelas pessoas que me mandou mensagem todos dias querendo saber como eu e minha família estava, ainda friso, que para muitos esse vírus maldito, não veio só para tirar pessoas de nós e sim para unirmos mais ainda, mostra o verdadeiro significado da família e, que na hora do desespero é somente eles que vão ficar, hoje cerca de um mês testado positivo junto com minha família, agradeço muito a Deus, por me ter concedido a vida, agradeço aos meus pais que mesmo tendo alguns contratempos estamos juntos e ainda mais unidos, não temos muito o que fazer, esse vírus não tem cor, cheiro e nem diz que está chegando, então evitem aglomerações, tomem os cuidados necessários, porque vocês, não fazem idéia, do que é saber que você está com o vírus, sua família também e não se tem certeza de nada. E o medo, pelo fato de podermos ser o próximo óbito ou seu pai ou sua mãe, ou alguém da sua família, essa dor não desejo a ninguém, e a única coisa que podemos e somos capazes de fazer, é a prevenção.

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