31 de Agosto de 2026

José Pacheco ensina que só o afeto é capaz de construir pontes para uma nova educação

“Uma pessoa vira professor por dois motivos: ou por amor ou por vingança. Eu virei professor por vingança, mas continuo na educação por amor”.

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“Uma pessoa vira professor por dois motivos: ou por amor ou por vingança. Eu virei professor por vingança, mas continuo na educação por amor”. A frase que pode chocar os desavisados não foi dita por alguém que detesta as escolas e os professores, mas por José Pacheco, um homem que há 54 anos se dedica a ensinar os menos favorecidos e a revolucionar os métodos de ensino em todo o mundo.
Há 50 anos, José Pacheco criou a Escola da Ponte, instituição portuguesa que virou referência em educação e recebeu diversos prêmios. Considerado um modelo utópico para muitos, na Escola da Ponte não existem professores, turmas, chamadas orais e nem sequer provas. É uma instituição de ensino onde o centro do processo de aprendizagem não é o professor, mas sim o aluno que não recebe o conhecimento de forma unilateral, num sistema quase militar, mas sim ajuda o tutor a construir o saber e os ensinamentos, em um processo educacional partilhado no qual a base é a troca de ideias, experiências e, principalmente, afetos.
Segundo José, ele entrou na educação para vingar todos os amigos de infância que por terem nascido em uma região miserável da cidade do Porto não tiveram oportunidade de realizar seus sonhos e nem atingir a totalidade de suas potencialidades. “Todos os meus amigos de infância morreram antes de chegarem aos 30 anos. Alguns foram assassinados pela ditadura de Salazar ou mortos em guerras na África. Outros tantos perderam a vida por conta de overdoses ou por causa da pobreza”.
A morte dos amigos fez José questionar se a educação não deveria ser mais inclusiva, acolhedora e não deveria obrigatoriamente ajudar a tornar as pessoas aquilo que elas sonharam ser. “Por isso eu quis encontrar um modo para que todos aprendam e sejam felizes e realizados socialmente, mas um advogado, um médico pode até dar aula, mas jamais ser um professor. Então eu precisava me tornar um professor de verdade”, explica o homem que é engenheiro eletrotécnico por formação. Para José, mais do que dar aula, um professor de verdade transmite aquilo que ele é, ensina valores, visão de mundo e afetos. Mas segundo o criador da Escola da Ponte isso não é possível em um ambiente que foi pensado há dois séculos atrás e sofreu pouquíssimas mudanças desde então. “A escola que nós temos foi pensada no Século XIX. Nasce na Prússia militar, nas casernas francesas, é um modelo pensado ainda na Revolução Industrial. E por isso é um ambiente autoritário, hierárquico e moralmente corrupto. Quem você acha que ajuda a formar os racistas, os misóginos e os preconceituosos de modo geral?”, indaga José.
Por isso, para mudar a educação e o comportamento da sociedade em geral é preciso que a escola deixe de ser um ambiente que estimula o decoreba e a competição exacerbada e passe a ser um lugar onde as pessoas criem vínculos e memórias afetivas. “Já que como já nos ensinava Paulo Freire é nas relações que as coisas acontecem e o mundo se transforma”, finaliza José

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